segunda-feira, 13 de junho de 2016

Poema a ti (Marcelo MM)

Poema a ti (Marcelo MM)

O céu, o mar, enfim, a moldura da vida.
Tudo é belo, tudo é triste.
Começa e acaba.

Uns têm tudo do pouco que há.
Outros, tudo do que há do nada.

Veja, a pouco aquela agitação.
Agora só nós dois, tu e eu . . .
Eu . . .  e  tu.

Ninguém nessa amplitude,
sim, ninguém mais triste. 

Só o vento sopra por entre as árvores:
É o murmúrio do que não vês
no meu olhar nervoso, que diz tudo
sem dizer nada.

Silêncio. . .

Eu te amo.
Amo a simplicidade dos teus gestos
e o sorrir dos teus lábios
a oferecer-me a vida e o desejo.

Como? Por que? Não o sei.

Sei que te amei desde. . . bem, não o sei,
não importa e nem entenderás.
Guardei-te em sonho
a imagem que vi, que conheci.

Ouve: no ssssilêncio ssssopra o vvvento
e o vento continua a ssssssssssssssoprar.

Só nós dois, um ao pé do outro.
Ninguém mais há de estar
quando o vento soprar.

Porque nos bastamos ao nosso mundo oculto,        
mas que existe;
certamente existe. . .

Só tu não o percebes.
                         




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