Ecos de razão que se busca propagar
em exíguos espaços quase rarefeitos,
no limite de convenções arbitradas
do que é certo ou errado;
do justo ou injusto;
sem critérios de equidade e justeza,
mas concede hipócrita, o livre arbítrio
sempre questionado nas indagações
tendenciosas que se nos impõem;
acorrentam o corpo e liberta o espírito
que vaga etéreo e apaixonado.
Por que a vida sem razão,
quando a vida deve ser vivida
nos limites da razão imposta,
predeterminada por uma vontade divina
que elegeu ou condenou, de antemão,
os homens desde o princípio da eternidade?
Se decisão jocosa ou de vingança,
não o sei, senão,
nossos momentos de felicidade
a respirar a mesma atmosfera,
são-nos tirados, oferecendo-nos outros;
falsa ilusão, ao longo de uma vida.
Levados a viver,
conhecer os amigos de nossos amigos.
Sonhar; sentir que estamos mais próximo
de tudo o quanto nos é muito próximo:
A nossa seiva espiritual mantida,
porém, em ramos afastados,
sem tocar-se e identificar-se.
Mas a força vital segue o ciclo da vida;
opera e transcende os umbrais
de mistérios insólitos e inatingíveis,
levando-nos aos caminhos de colisão.
Por mais que relutemos
e não queiramos aceitar
pelas razões que nos acorrentam,
conseguimos identificar a metade da maçã,
por vezes já mordida e desgastada.
Mas ainda restam os nossos sentidos,
mantidos pelo sentimento preservado
ao verdadeiro amor que nos une num só ser
de esperança e de fé que nos leva a seguir
em busca de momentos de felicidade.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A última canção
Afino as cordas deste meu coração;
seresteiro e romântico, mas cansado.
Cansado de chorar em modas de viola,
bandolim e violão,
no triste lamento de samba-canção.
Eis que vêm aos acordes
de um velho bandônion:
torna à meia-luz e se esvai.
Ainda me resta uma canção;
a última que hei de cantar-lhe.
Nessa canção derradeira,
eu, a sorrir dos momentos desse tão grande amor que se nos dedicamos
e nos ofertamos em interação
à sinergia de corpos e pensamentos;
entregas, certezas e até mesmo de incertezas,
momentâneas e superadas
à verdade que nos uniu.
Se a voz rouca, trêmula e embargada,
somente soluçar,
veja meus olhos postos nos olhos seus.
Apenas um sorriso desta alma gêmea,
que nada mais espelha. . .
Senão, a luz do sorriso seu.
Não chore, nem me enxugue,
se acaso a gota de lágrima chegar-lhe a brotar.
Deixe apenas esta única gota em seus olhos marejados
umedecer a terra.
São sementes do nosso amor;
certamente hão de germinar.
seresteiro e romântico, mas cansado.
Cansado de chorar em modas de viola,
bandolim e violão,
no triste lamento de samba-canção.
Eis que vêm aos acordes
de um velho bandônion:
torna à meia-luz e se esvai.
Ainda me resta uma canção;
a última que hei de cantar-lhe.
Nessa canção derradeira,
eu, a sorrir dos momentos desse tão grande amor que se nos dedicamos
e nos ofertamos em interação
à sinergia de corpos e pensamentos;
entregas, certezas e até mesmo de incertezas,
momentâneas e superadas
à verdade que nos uniu.
Se a voz rouca, trêmula e embargada,
somente soluçar,
veja meus olhos postos nos olhos seus.
Apenas um sorriso desta alma gêmea,
que nada mais espelha. . .
Senão, a luz do sorriso seu.
Não chore, nem me enxugue,
se acaso a gota de lágrima chegar-lhe a brotar.
Deixe apenas esta única gota em seus olhos marejados
umedecer a terra.
São sementes do nosso amor;
certamente hão de germinar.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Amor sem pecado
Ressoa em nosso corpo vibrações indefinidas
que transcendem a vontade;
valores pessoais atribuídos às coisas;
aos seres racionais ou não;
levados aos queixumes: lamentos e gemidos
transformam-se no alimento que me faz tremer
e arder no fogo abrasador da paixão
que se inflama na chama.
Propagando-se muito além das raias limítrofes
das convenções arbitradas, em todas as formas
e dimensões, à ausência de culpa e sem pecado, não havendo a
disposição fanática de indivíduos, num zelo religioso intolerante,
excessivo e cego, que se considerem puros, castos ou iluminados;
ungidos e inspirados pela divindade.
Ainda, se não houver, a predisposição sectária
que leva à divisão da família pela intolerância
ou intransigência de partidários ou prosélitos,
em discussões ferrenhas do sexo dos anjos.
O amor não é escravagista;
Não predispõe alguém ao bem material de outrem;
Não determina o direito à propriedade;
Não determina castigo; não requer alforria.
Uma simples admiração exaltada a alguém
ou algo, fruto de amizade e simpatia;
dedicação e entusiasmo,
movido por sentimento de afeição e carinho;
levando-nos à cumplicidade e à renúncia.
Paixão. . .
Sentimento ardente de uma pessoa por outra, gerando a atração física;
O amor requer respeito;
amizade e responsabilidade.
que transcendem a vontade;
valores pessoais atribuídos às coisas;
aos seres racionais ou não;
levados aos queixumes: lamentos e gemidos
transformam-se no alimento que me faz tremer
e arder no fogo abrasador da paixão
que se inflama na chama.
Propagando-se muito além das raias limítrofes
das convenções arbitradas, em todas as formas
e dimensões, à ausência de culpa e sem pecado, não havendo a
disposição fanática de indivíduos, num zelo religioso intolerante,
excessivo e cego, que se considerem puros, castos ou iluminados;
ungidos e inspirados pela divindade.
Ainda, se não houver, a predisposição sectária
que leva à divisão da família pela intolerância
ou intransigência de partidários ou prosélitos,
em discussões ferrenhas do sexo dos anjos.
O amor não é escravagista;
Não predispõe alguém ao bem material de outrem;
Não determina o direito à propriedade;
Não determina castigo; não requer alforria.
Uma simples admiração exaltada a alguém
ou algo, fruto de amizade e simpatia;
dedicação e entusiasmo,
movido por sentimento de afeição e carinho;
levando-nos à cumplicidade e à renúncia.
Paixão. . .
Sentimento ardente de uma pessoa por outra, gerando a atração física;
O amor requer respeito;
amizade e responsabilidade.
Dois seres imolados pelo sexo
Vibrações indefinidas sem valores pessoais,
movidas por seres racionais, sem reciprocidade, em cuja a estima, se é
de maior ou menor grau, de nada ou pouco interessa, não vem ao mérito
ou, ao merecimento intrínseco.
Levados ao êxtase do instinto irracional;
ardem submetidos ao fogo selvagem.
Num gemido de prazer, quiçá seja de lamento, no auge da paixão que se
inflama na fronteira, ao limite do pecado, em excessos e ultrajes,
livre de padrões, normas, tabus e preconceitos, vão-se à liberdade
dos desejos; mútua entrega, à exaltação do sexo, num entusiasmo
libertino; nada além. . . Senão um simples desejo carnal, sem
respeito, cumplicidade e responsabilidade.
Em freqüência arrítmica, pulsam fortes corações,
cujas notas de valores negativos, são pausas
que estabelecem a duração dos silêncios ritmados, ao caráter do que,
de modo relativo ou absoluto,
é ou deve ser tido como objeto de estima. . .
Contudo, não vai além das raias do desejo.
Jazem dois corpos abatidos e perdidos, a final;
fria, sombria e nostálgica a relação sem brilho,
como se arrastados, por devastadora enxurrada ainda que extemporânea,
ou hajam sido imolados
no altar de sacrifícios, onde, somente a pira arde
movidas por seres racionais, sem reciprocidade, em cuja a estima, se é
de maior ou menor grau, de nada ou pouco interessa, não vem ao mérito
ou, ao merecimento intrínseco.
Levados ao êxtase do instinto irracional;
ardem submetidos ao fogo selvagem.
Num gemido de prazer, quiçá seja de lamento, no auge da paixão que se
inflama na fronteira, ao limite do pecado, em excessos e ultrajes,
livre de padrões, normas, tabus e preconceitos, vão-se à liberdade
dos desejos; mútua entrega, à exaltação do sexo, num entusiasmo
libertino; nada além. . . Senão um simples desejo carnal, sem
respeito, cumplicidade e responsabilidade.
Em freqüência arrítmica, pulsam fortes corações,
cujas notas de valores negativos, são pausas
que estabelecem a duração dos silêncios ritmados, ao caráter do que,
de modo relativo ou absoluto,
é ou deve ser tido como objeto de estima. . .
Contudo, não vai além das raias do desejo.
Jazem dois corpos abatidos e perdidos, a final;
fria, sombria e nostálgica a relação sem brilho,
como se arrastados, por devastadora enxurrada ainda que extemporânea,
ou hajam sido imolados
no altar de sacrifícios, onde, somente a pira arde
Refúgio
Poesia, és tu minha fiel companheira
que me segue nos bons momentos,
sejam aqueles em que me transbordo
no coração pleno de alegria.
Feliz e ufano!
encontro-me no santuário, meu refúgio,
recolhendo as bênçãos dos áureos raios,
quão brilhante, projetando-me ao céu,
iluminado à claridade rósea da aurora.
Ao afago e frescor da brisa que sopra,
entrego-me nas manhãs do bom tempo,
levando-me a viajar, qual justo.
Porém, se no verso da moeda caminho,
e encontro a estrada agreste da solidão;
recolho-me, e só, a buscar nova direção,
mas torno ao santuário do meu refúgio.
Poesia, és a minha eterna confidente
com quem partilho toda a minha dor
ou revolta de frustração.
És o refúgio do meu íntimo,
abrigo doce que me tranqüiliza.
Quando penso que és tu, sou eu.
E, se acredito ser eu, não o sou: és tu.
E se essa confusão se faz sentir,
que és o meu interior extravasado
em palavras rabiscadas.
que me segue nos bons momentos,
sejam aqueles em que me transbordo
no coração pleno de alegria.
Feliz e ufano!
encontro-me no santuário, meu refúgio,
recolhendo as bênçãos dos áureos raios,
quão brilhante, projetando-me ao céu,
iluminado à claridade rósea da aurora.
Ao afago e frescor da brisa que sopra,
entrego-me nas manhãs do bom tempo,
levando-me a viajar, qual justo.
Porém, se no verso da moeda caminho,
e encontro a estrada agreste da solidão;
recolho-me, e só, a buscar nova direção,
mas torno ao santuário do meu refúgio.
Poesia, és a minha eterna confidente
com quem partilho toda a minha dor
ou revolta de frustração.
És o refúgio do meu íntimo,
abrigo doce que me tranqüiliza.
Quando penso que és tu, sou eu.
E, se acredito ser eu, não o sou: és tu.
E se essa confusão se faz sentir,
que és o meu interior extravasado
em palavras rabiscadas.
Em busca de felicidade
Ecos de razão que se busca propagar
em exíguos espaços quase rarefeitos,
no limite de convenções arbitradas
do que é certo ou errado;
do justo ou injusto;
sem critérios de eqüidade e justeza,
mas concede hipócrita, o livre arbítrio,
sempre questionado nas indagações
tendenciosas que se nos impõem;
acorrentam o corpo e liberta o espírito
que vaga etéreo e apaixonado.
Por que a vida sem razão,
quando a vida deve ser vivida
nos limites da razão imposta,
predeterminada por uma vontade divina
que elegeu ou condenou, de antemão,
os homens desde o princípio da eternidade?
Se decisão jocosa ou de vingança,
não o sei, senão,
nossos momentos de felicidade
a respirar a mesma atmosfera,
são-nos tirados, oferecendo-nos outros;
falsa ilusão, ao longo de uma vida.
Levados a viver,
conhecer os amigos de nossos amigos.
Sonhar e sentir que estamos mais próximo
do que nos é muito próximo:
a nossa seiva espiritual mantida,
porém, em ramos afastados,
sem tocar-se e identificar-se.
em exíguos espaços quase rarefeitos,
no limite de convenções arbitradas
do que é certo ou errado;
do justo ou injusto;
sem critérios de eqüidade e justeza,
mas concede hipócrita, o livre arbítrio,
sempre questionado nas indagações
tendenciosas que se nos impõem;
acorrentam o corpo e liberta o espírito
que vaga etéreo e apaixonado.
Por que a vida sem razão,
quando a vida deve ser vivida
nos limites da razão imposta,
predeterminada por uma vontade divina
que elegeu ou condenou, de antemão,
os homens desde o princípio da eternidade?
Se decisão jocosa ou de vingança,
não o sei, senão,
nossos momentos de felicidade
a respirar a mesma atmosfera,
são-nos tirados, oferecendo-nos outros;
falsa ilusão, ao longo de uma vida.
Levados a viver,
conhecer os amigos de nossos amigos.
Sonhar e sentir que estamos mais próximo
do que nos é muito próximo:
a nossa seiva espiritual mantida,
porém, em ramos afastados,
sem tocar-se e identificar-se.
Rester
Je me veux rester ici;
Je me veux.
La felicité arrivé au mon coeur
que pleurait dans le jardin sen fleurs.
Il faut être rester, mon amour!
Je me veux rester auprès de vous,
le soleil de ma vie.
Au fin de la dernière nuit
je ne serai pas oublié;
je n’oublierai pas vous, mon amour.
Il faut être rester, mon amour
Je me veux rester auprès de vous.
Je me veux rester ici;
Je me veux.
Je me veux.
La felicité arrivé au mon coeur
que pleurait dans le jardin sen fleurs.
Il faut être rester, mon amour!
Je me veux rester auprès de vous,
le soleil de ma vie.
Au fin de la dernière nuit
je ne serai pas oublié;
je n’oublierai pas vous, mon amour.
Il faut être rester, mon amour
Je me veux rester auprès de vous.
Je me veux rester ici;
Je me veux.
Palavras do silêncio
Estava a pregar na areia quente do deserto
aos camelos que bem distante, lá passavam a navegar
qual navio, e desaparecer na última vaga do horizonte.
Restavam-me apenas, criaturas desajeitadas e solitárias,
por vezes parecendo-me arrastar-se ou flutuar na areia,
em busca de outras desavisadas ou famintas criaturas
desorientadas, quiçá perdidas na fofura escaldante da miragem
e da magia das dunas que se formavam imensas
e logo desapareciam ao sopro do vento forte,
o verdugo, o invisível a açoitar qualquer ousado as leis a desafiar.
Fogos de artifício a chorar a morte ou celebrar a vitória
na reflexão solar que se projeta transparente e cristalina;
revestem de brilho as coisas e iluminam falsos caminhos
ao viajante desgarrado, iludido com as luzes que o ofuscam.
Cai a noite e chego às horas mortas. . .
O nada estático é imutável e eterno; a vida é efêmera.
A efemeridade que se arroja ao domínio do mundo dialético
na convergência dos limites entre a graça e a maldição.
Levado aos parâmetros sistêmico, micro ou macrocosmo manter-se-ia
ao equilíbrio de forças na repulsão e atração do bem e do mal,
mas a vida se renova pelas trocas vitais,
de cujo desequilíbrio advém a morte.
Morrer ou nascer!
Eventos de milagre em nano segundo ao passar da roda,
em movimentos de rotação contínua,
porém reafirmo comprometido com a recriação da forma
que se ajusta na adequação da sinergia dos movimentos.
Nesse sonho ou pesadelo. . .
o que importa senão o viver?
Até mesmo se a minha voz não se fizer ouvida
às razões em que acredito e derrotado;
jamais simples fracassado, pois não sou covarde
e luto pelo que acredito e tenho fé;
pronto a aceitar o que não pode e nem deve ser mudado;
Estou só, um solitário em meio à multidão de ninguém,
cujas palavras são a verdadeira expressão do silêncio,
no vazio dos meus sonhos e pesadelos
aos camelos que bem distante, lá passavam a navegar
qual navio, e desaparecer na última vaga do horizonte.
Restavam-me apenas, criaturas desajeitadas e solitárias,
por vezes parecendo-me arrastar-se ou flutuar na areia,
em busca de outras desavisadas ou famintas criaturas
desorientadas, quiçá perdidas na fofura escaldante da miragem
e da magia das dunas que se formavam imensas
e logo desapareciam ao sopro do vento forte,
o verdugo, o invisível a açoitar qualquer ousado as leis a desafiar.
Fogos de artifício a chorar a morte ou celebrar a vitória
na reflexão solar que se projeta transparente e cristalina;
revestem de brilho as coisas e iluminam falsos caminhos
ao viajante desgarrado, iludido com as luzes que o ofuscam.
Cai a noite e chego às horas mortas. . .
O nada estático é imutável e eterno; a vida é efêmera.
A efemeridade que se arroja ao domínio do mundo dialético
na convergência dos limites entre a graça e a maldição.
Levado aos parâmetros sistêmico, micro ou macrocosmo manter-se-ia
ao equilíbrio de forças na repulsão e atração do bem e do mal,
mas a vida se renova pelas trocas vitais,
de cujo desequilíbrio advém a morte.
Morrer ou nascer!
Eventos de milagre em nano segundo ao passar da roda,
em movimentos de rotação contínua,
porém reafirmo comprometido com a recriação da forma
que se ajusta na adequação da sinergia dos movimentos.
Nesse sonho ou pesadelo. . .
o que importa senão o viver?
Até mesmo se a minha voz não se fizer ouvida
às razões em que acredito e derrotado;
jamais simples fracassado, pois não sou covarde
e luto pelo que acredito e tenho fé;
pronto a aceitar o que não pode e nem deve ser mudado;
Estou só, um solitário em meio à multidão de ninguém,
cujas palavras são a verdadeira expressão do silêncio,
no vazio dos meus sonhos e pesadelos
Deserção
Caminho longo, em desespero,
chispas de tempo em nano segundos,
leva-me a assistir ao roteiro do filme,
cujas cenas protagonizei.
Ora cruel ou angelical;
vencido ou vencedor;
covarde ou valente;
humilde ou submisso;
Amei;
odiei;
desprezei;
corrompi.
Fui corrompido no cenário
em que atuei vítima;
agressor;
gladiador;
e, até mesmo mediador,
travestido em personagens de sonhos,
quimeras, fantasias...
Nada mais que ator em dissimulações;
disfarces para um mundo real,
formado por surrealidade,
de atos e fatos previamente planificados.
Falei, murmurei, gritei, e, até chorei. . .
Perdi várias batalhas
em noites intermináveis,
enquanto, quiçá gargalhava e vagava,
em viagem sem trilho ou direção.
Falta pouco à aproximação. . .
Solo que amei:
Prepara o impacto deste corpo já sem alma,
cujo o espírito dilacerado pelo amargor,
tenta retornar ao palco.
ainda que tardiamente,
mesmo se figurante,
o gélido frescor da brisa invade-me
as entranhas na aceleração
desta derradeira jornada.
Última visão de minhas lembranças!
Tudo e todos o quanto amei,
saudade de quem me fez amado;
luz dos olhos do meu caminho
que em vida iluminou, não, não deixe
que as lágrimas umedeça a face
e role aos seus lábios que beijei.
Apenas afague este corpo
que, finalmente, jazerá
insensível às carícias da mulher
que me fazia adormecer e sonhar.
chispas de tempo em nano segundos,
leva-me a assistir ao roteiro do filme,
cujas cenas protagonizei.
Ora cruel ou angelical;
vencido ou vencedor;
covarde ou valente;
humilde ou submisso;
Amei;
odiei;
desprezei;
corrompi.
Fui corrompido no cenário
em que atuei vítima;
agressor;
gladiador;
e, até mesmo mediador,
travestido em personagens de sonhos,
quimeras, fantasias...
Nada mais que ator em dissimulações;
disfarces para um mundo real,
formado por surrealidade,
de atos e fatos previamente planificados.
Falei, murmurei, gritei, e, até chorei. . .
Perdi várias batalhas
em noites intermináveis,
enquanto, quiçá gargalhava e vagava,
em viagem sem trilho ou direção.
Falta pouco à aproximação. . .
Solo que amei:
Prepara o impacto deste corpo já sem alma,
cujo o espírito dilacerado pelo amargor,
tenta retornar ao palco.
ainda que tardiamente,
mesmo se figurante,
o gélido frescor da brisa invade-me
as entranhas na aceleração
desta derradeira jornada.
Última visão de minhas lembranças!
Tudo e todos o quanto amei,
saudade de quem me fez amado;
luz dos olhos do meu caminho
que em vida iluminou, não, não deixe
que as lágrimas umedeça a face
e role aos seus lábios que beijei.
Apenas afague este corpo
que, finalmente, jazerá
insensível às carícias da mulher
que me fazia adormecer e sonhar.
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