Afino as cordas deste meu coração;
seresteiro e romântico, mas cansado.
Cansado de chorar em modas de viola,
bandolim e violão,
no triste lamento de samba-canção.
Eis que vêm aos acordes
de um velho bandônion:
torna à meia-luz e se esvai.
Ainda me resta uma canção;
a última que hei de cantar-lhe.
Nessa canção derradeira,
eu, a sorrir dos momentos desse tão grande amor que se nos dedicamos
e nos ofertamos em interação
à sinergia de corpos e pensamentos;
entregas, certezas e até mesmo de incertezas,
momentâneas e superadas
à verdade que nos uniu.
Se a voz rouca, trêmula e embargada,
somente soluçar,
veja meus olhos postos nos olhos seus.
Apenas um sorriso desta alma gêmea,
que nada mais espelha. . .
Senão, a luz do sorriso seu.
Não chore, nem me enxugue,
se acaso a gota de lágrima chegar-lhe a brotar.
Deixe apenas esta única gota em seus olhos marejados
umedecer a terra.
São sementes do nosso amor;
certamente hão de germinar.
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