quarta-feira, 2 de junho de 2010

Tributo à Cidade onde nasci

Naveguei, vindo de além mar,
de terra distante e encantada.

Encontrei-a pátria dos amores,
éden colossal do meu cismar.
Idílio real de um nauta que vagueia
ao sabor das vagas espumantes
dos mares longínquos por onde navega.

Quanta falta senti do meu torrão
por não achar céu mais azul que o meu
nem matas de cor tão real
me leva a pensar: esperança . . .

Ao galgar o cimo deste colosso,
ajoelho-me ao Cristo Redentor,
venho saudar-vos, Rio de Janeiro,
pois carioca também o sou.

Parabéns, augusta Rio de Janeiro
capital da cultura e do amor;
parabéns, ó bonita cidade
pelos anos que tu encerras.

Dos tesouros que o Brasil possui,
és tu minha Rio de Janeiro,
a mais bela dentre as jóias
trabalhadas pelo Criador.

Se teu ourives não fosse o Criador,
diria, um só motivo o fez criar-te:
a mulher por quem se apaixonou.

Pois, só amando de verdade,
um homem bem pode imaginar
pensando na mulher amada,
tão bela e marcante poesia.

Entre vales e d’outras cercanias,
uma formosa silhueta se destaca . . .

Contornos de recantos e encantos
sob este céu anil, a Guanabara
baía de todos os cantos.

Abençoas todo aquele,
seja teu filho ou não.

Parece que estás sempre vertendo
dos teus olhos femininos

- Um dia límpida água -
de certo voltarás.

Lágrimas de alegria, ventura
de poder em teu colo jovial,
embalar mais um batelo
que ao sabor do teu desejo,
singra terno e embevecido
sob a magia do marulhar.

Busca à natureza

Na incerteza dos primeiros passos,
a criança balbucia singela vibração,
qual mensageiro, o anjo de paz.

Olhai . . .

Olhai e podeis com orgulho ver
a beleza deste céu;
a grandeza deste sol.

Atentai bem agora!

Montanhas em oração eterna
se erguem a Deus em prece:

Grande arquiteto;
escultor ou pintor?. . .
poeta? mago? Ph.D.?
avatar ou doutor?

Senhor :

Mestre de todas as artes e das ciências,
agradecemos pela vasta policromia
que abriga os seres vivos; também
fadas; duendes, pigmeus ou gnomos.

Dizei:
da magia dos bosques e das matas;
feitiços ou feiticeiros num só encanto.
Do verde da folhagem sempre viçosa
ou do vermelho desabrochar da rosa?

Olhai!
às ramagens um amarelo; pensareis
seja uma linda flor, porém sabei
que é uma borboleta que voa.

Ouvi a melodia doce do marulhar!

No encontro ao rochedo se precipitam
num vaivém, as águas verde do mar.

À procura de uma pousada,
bem lá nas grimpas dos arvoredos,
temos, então, os passarinhos
que se põem a gorjear.

Pra dar lugar a outras estrelas
o sol lá no poente já se deitou.

Seis horas da tarde,
se faz o Angelus . . . é hora:
Ave Maria!

E, nós reunidos em prece,
agradeçamos ao Senhor
que pintou e arquitetou
a Natureza no Universo.

A Busca

Quantas e quantas vezes!
por ti levado à mão, guiado . . .
Vim, caminhei,
muitos e longos caminhos;
caminhos distantes,
em cujos os passos tentava
encontrar os teus nos meus.

Foste ... E eu ?
mais uma criatura, certeza sou,
senão presente o enigma:
de onde vim, não o sei,
sequer para onde vou . . .

Se em muitas das caminhadas,
tomaste-me já, tão enfraquecido,
em teus alquebrados ombros,
livrando-me do sinuoso agreste
das pedras soltas do caminho
que lá estavam no meu torrão.
Livraste-me das chagas físicas;
porém outras chagas restaram,
piores, senão: saudade tão distante,
quanto sentida, levada ao etéreo
distante e imaginário

Formas que materializo.
Dimensão etérea,
se espoca refletida na forma volátil
que já não se forma;
embora presente,
senão à surrealidade apresenta,
no que se reflete da forma
dos encadeamentos de desejos lógicos,
à ativação sistemática do inconsciente
que avança pela alameda dos sonhos,
quiçá transcende o limite irracional.

Fantasia levada ao plano irracional,
vaga plena, na inconsciência mórbida,
perdendo-se nas brumas do sonho. . .

Eis-me na volatilidade do caminho,
onde o ilógico vagueia em dispersão,
sem tamanho ou extensão; sem direção.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Tempo e a Realidade

Deus arquitetou,
certo de que não existiria Nada sem o Fogo;
talvez a realidade de um Mundo frio,
onde o Nada se perpetuaria sem a chama de luz,
sem a chama incandescente de calor: a exclusão.

A negação ao surgimento da vida;
do crepúsculo, seja o vespertino,
seja o matutino do alvorecer
e a doce cantata dos pássaros
como se anunciando o renascimento.

Que seria sem os pontos cardeais sem o Oriente
de onde emanou a Sabedoria e o Conhecimento?

das horas mortas, se ausente a Lua,
a estimular os corações
e a despertar paixões?

do Reino Vegetal e do Animal de hábitos noturnos:
os habitantes da noite. . . sem a Lua?

do mar, do oceano e dos rios sem a Lua
e suas estações nos fluxos e refluxos das águas?

Píncaro astral, boreal ou polar:
surge a tonalidade do rosicler das auroras;

Limite das dúvidas;
O Mundo é um fogo eterno, disse Heráclito,
são Medidas que incendeiam;
medidas que se apagam.

Fogo, a única substância permanente,
da qual todas as coisas visíveis são passageiras.

A cada dia, fragmentos de destruição
e de construção levadas a termo pelo Tempo,
enfim o que pode ser visto,
aprendido e ouvido, o afirmou Heráclito.
Parmênides em seu misticismo lógico
“A realidade é incriada,
é imutável, é indestrutível e indivisível”;
“imovível nos elos de poderosas correntes,
sem começo e sem fim”.

“Não se pode entrar duas vezes nos mesmos rios;
águas nova estão sempre correndo sobre os pés”;
tal qual o caminho que sobe e o que desce
são o mesmo caminho percorremos.

O Tempo é o Tempo
que dá o tempo no tempo,
mas o Tempo é irreal;
ilusório ao mundo dos sentidos,
em cuja a medida criada pelo homem,
a sua orientação é mais prático do que teórico.

O tempo que urge é superficial
e sem importância à Realidade do tempo.

Minhas verdades

Meus troféus são os meus pensamentos;
os meus sentimentos puros e fraternos;
as letras que lhes deixo gravadas. . .
sejam aceitas, compreendidas, criticadas
e, até mesmo elogiadas. . . mas são minhas.

No âmago do meu ser foram geradas,
elaboradas à firmeza de sua fidelidade;
plasmadas ao espargir do sopro divino,
ainda que letras frias ou nostálgicas;
ainda que vazias, eloqüentes palavras;
reflexo da busca do que muito busquei,
embora não o achei; apenas rabisquei.

Hão de conter verdades,
entretanto, outras são frutos
de livres divagações,
cujos os roteiros foram ainda escritos
na caverna escura, jamais acontecidas,
ou, o espírito as tenha experimentado
ao deixar o corpo no jazer acorrentado.

As verdades não são apenas as minhas, são outras verdades que se representam de outros planos, vidas, seres e coisas
que me levaram tão somente a gravá-las em mensagens que lhes deixo legadas.

A arte da palavra

Arte bela e expressiva!
Dom divino e espiritual à graça do Criador.

O verbo que se fez carne, andou, caminhou, falou
e disse a quem tem ouvidos de ouvir. . . o silêncio;
o tempo que ressoa pelo vale da vida e da morte.

Da promessa verbal “palavra de rei não volta atrás” à afirmação incontestável, sob o senso claro e reto,
orientado pela sabedoria e eqüidade de Salomão.
Palavra de quem a tem e de quem honra a palavra, capacitado a expressar idéias por sons articulados ao uso da fala: frases, palavras, oração e discurso, levando a expressão do pensamento em afirmação, opinião e assertos, quiçá erros. . . ao modo de ver.

Livre direito de pensar; de falar restrito e limitado ao objetivo que deve ou quer atingir... responsável, e sem esperar que o outro aceite uma só palavra.

Ninguém é o dono da verdade;
cada qual tem a sua!

Não submetido à catequese, à pregação ou à regra; aos preceitos e normas pré-orientados e definidos sob princípios fanáticos e sectários, impostos.

O aluno contesta o mestre e a doutrina, com base, lógica, verdadeira e honesta, livre do Santo ofício, ou de castigo pelo “desrespeito” ao magister dix;
ao senso comum em seu conjunto de opiniões geralmente aceitos, sendo impostos pela tradição a indivíduos de uma determinada época, ou local; grupo social, e de modo acrítico como verdades
e comportamentos próprios da natureza humana.
A dualidade do bem e do mal reside no cotidiano, exigindo a prática do senso moral;
da faculdade intuitiva e infalível de reconhecê-los, principalmente nos fatos concretos.

A capacidade de julgar e de resolver problemas conforme o senso comum, exige o discernimento que oscila entre verdadeiro e falso. O bom senso, segundo à aplicação da razão para o julgamento ou raciocínio nas particularidades da vida.

A palavra se inicia e se acaba nos limites inatingíveis do pensamento, levando-nos a exceder em divagações verdadeiras, falsas ou surrealistas; criando, forjando, recebendo, processando e transmitindo.

A evolução vem da reflexão e do aprendizado,
em face de doutrinas, de experiências vivenciadas
e objetivos que lapidam o diamante, antes bruto,
surgindo o pensamento livre, a arte da palavra.

Ao correr da pena

Desfilei, levada por mãos nervosas, tristes ou alegres pelo amor desperto, iniciado, temporizado ou acabado, de sonhos apenas sonhados. Jamais, pois, vivenciados.

Pela menina que ia ao seu diário desabafar segredos, toda envergonhada, ainda tímida por não saber amar, sufocando dentro de si, prantos, soluços e lamentos, voltando depois a sorrir, ávida pelo beijo ou abraço; mas desperta confusa por sentir-se a própria chama
que lhe derrete a face rubra, afogueada pela paixão.

Rastros de melancolia, nas dores e frustrações sofridas pelos desencantos, ao sentir-se em seu amor preterido, vai às raias do desespero em ilações vãs e imprecisas, insurgindo-se contra Deus e revolta contra si mesma; até mesmo a família e o espelho. . . se falasse, coitado! quantas e quantas as vezes num barulho: estilhaçado!

Narrei muitos atos e fatos, bem próximo ou distante, guardados por prudência, cautela ou sigilo técnico, profissional ou de Estado; quiçá mera formalidade, ao fim aposto sobre mim: “top secret” ou reservado.

Do verdugo ao juiz, do golpe escabroso ou temerário, do audacioso, imprudente ou arriscado: o precipitado vem e afronta os bons-costumes, a ética e ao decoro, indiferente às conveniências e aos padrões sociais.

Não sou trem mas corro por retas ou tortuosas linhas, em trânsito sobre o que há de certo... ou há de errado; viagem de palestra ou discurso pomposo de retórica, porém vazio no conteúdo prolixo de uma vã demagogia levada ao parlatório pelos políticos; os ímpios e outros; enganadores adornados em colarinhos engomados.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

M de Maria. . . de Mãe

Ao M se juntam outras letras: seu nome, são quatro letras e um mantra formado.

Quem ao inverno vem padecer ao frio
sente nas mãos o calor que agasalha;
vem do abrigo que no coração protege.

Maria, virgem santa; imaculada Senhora,
ao M duas outras letras se juntaram,
numa explosão de amor fraterno,
a enobrecer e transformar os sentimentos,
de pureza, ideal e de alegria, a contemplar
a noção severa de dignidade humana.

Jardim da catedral da alma,
ao desabrochar da rosa mística,
cuja a pétala se desprende
a espargir energia, repleta de amor fraterno,
benevolente, puro e desinteressado
que serve de transporte e abrigo;
a roupa que protege e agasalha.

Relação unívoca;
correspondência homogênea e uníssona;
pares homônimos que se interligam.

A integridade do caráter,
norteia a retidão do caminho,
tornando justo na adequação de justeza.

Refúgio severo da dignidade humana, no resplendor sem glória e sem fama, não reclama auréola, fulgor ou fama senão tornar probo o filho que a chama e do ventre vier à luz.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Homenagem a minha querida Portela

Sinto a magia do seu encanto
No Pavilhão Azul e Branco
Da minha querida Portela
Conheço suas façanhas
Acompanho suas andanças
De outros carnavais
Meu coração se enche de alegria
Quando ouço esta maravilha
A sua famosa bateria
Acelerando o nosso coração
Tens sempre uma bela melodia
Que exaltam os seus dias
De Majestosa campeã
Me embalo em sua cas
Famoso ninho da águia
Morada de bambas, de sambistas geniais
Seus compositores cantam os seus amores
Suas Vitórias e dores
As sutilezas da vida
Na Velha Guarda esta toda a história
Sua verdadeira glória
Patrimônio de uma nação
És razão de muitas vidas
Alegria de gente sofrida
Mas sempre destemida
Que não te abandona Jamais!