Naveguei, vindo de além mar,
de terra distante e encantada.
Encontrei-a pátria dos amores,
éden colossal do meu cismar.
Idílio real de um nauta que vagueia
ao sabor das vagas espumantes
dos mares longínquos por onde navega.
Quanta falta senti do meu torrão
por não achar céu mais azul que o meu
nem matas de cor tão real
me leva a pensar: esperança . . .
Ao galgar o cimo deste colosso,
ajoelho-me ao Cristo Redentor,
venho saudar-vos, Rio de Janeiro,
pois carioca também o sou.
Parabéns, augusta Rio de Janeiro
capital da cultura e do amor;
parabéns, ó bonita cidade
pelos anos que tu encerras.
Dos tesouros que o Brasil possui,
és tu minha Rio de Janeiro,
a mais bela dentre as jóias
trabalhadas pelo Criador.
Se teu ourives não fosse o Criador,
diria, um só motivo o fez criar-te:
a mulher por quem se apaixonou.
Pois, só amando de verdade,
um homem bem pode imaginar
pensando na mulher amada,
tão bela e marcante poesia.
Entre vales e d’outras cercanias,
uma formosa silhueta se destaca . . .
Contornos de recantos e encantos
sob este céu anil, a Guanabara
baía de todos os cantos.
Abençoas todo aquele,
seja teu filho ou não.
Parece que estás sempre vertendo
dos teus olhos femininos
- Um dia límpida água -
de certo voltarás.
Lágrimas de alegria, ventura
de poder em teu colo jovial,
embalar mais um batelo
que ao sabor do teu desejo,
singra terno e embevecido
sob a magia do marulhar.
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