quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ao correr da pena

Desfilei, levada por mãos nervosas, tristes ou alegres pelo amor desperto, iniciado, temporizado ou acabado, de sonhos apenas sonhados. Jamais, pois, vivenciados.

Pela menina que ia ao seu diário desabafar segredos, toda envergonhada, ainda tímida por não saber amar, sufocando dentro de si, prantos, soluços e lamentos, voltando depois a sorrir, ávida pelo beijo ou abraço; mas desperta confusa por sentir-se a própria chama
que lhe derrete a face rubra, afogueada pela paixão.

Rastros de melancolia, nas dores e frustrações sofridas pelos desencantos, ao sentir-se em seu amor preterido, vai às raias do desespero em ilações vãs e imprecisas, insurgindo-se contra Deus e revolta contra si mesma; até mesmo a família e o espelho. . . se falasse, coitado! quantas e quantas as vezes num barulho: estilhaçado!

Narrei muitos atos e fatos, bem próximo ou distante, guardados por prudência, cautela ou sigilo técnico, profissional ou de Estado; quiçá mera formalidade, ao fim aposto sobre mim: “top secret” ou reservado.

Do verdugo ao juiz, do golpe escabroso ou temerário, do audacioso, imprudente ou arriscado: o precipitado vem e afronta os bons-costumes, a ética e ao decoro, indiferente às conveniências e aos padrões sociais.

Não sou trem mas corro por retas ou tortuosas linhas, em trânsito sobre o que há de certo... ou há de errado; viagem de palestra ou discurso pomposo de retórica, porém vazio no conteúdo prolixo de uma vã demagogia levada ao parlatório pelos políticos; os ímpios e outros; enganadores adornados em colarinhos engomados.

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