sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Da beleza ao amor

Afrodite atravessou mares, serras e cerrados, levando consigo a flauta, a cotovia e o sabiá a despertar emoções lascivas, canto e encanto tirado dos sonhos rompidos de saudades vãs, desencontro dos que jamais se encontraram.

Verbos rasgados que se desnudam em rival hostil
pelo ódio de prantos recolhidos no olhar perdido com olhos ainda úmidos e submetidos ao degredo entregues na nostalgia da solidão.

A cotovia cantou o mais belo do seu doce canto
e foi posar na flauta que tocava suave e cimeira, quando o sabiá abriu glamouroso contracanto, mas curvado à beleza de Afrodite, silenciou.

A nostalgia se amparava na solidão deserdada
de desejos sentidos, entregues ao rito do cadafalso à silhueta do corpo sob anseios relutantes.

Beleza por si só não basta ao degredo do homem, que não passa de verbo sem sentido a perder-se em recordações de antigos e valorosos anseios.

Vem o doutor, senhor que semeia a flor do amor no degredo dos que já se perderam ou souberam, quiçá as delícias de um afago real e verdadeiro.

Fundiram-se a beleza e o amor!
De Afrodite, a bela e sensual, meiga e sedutora, restaram anseios, sentidos vazios sem o Cupido

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