Era manhã de primavera quando despertei
aos primeiros raios de sol que atravessavam
a janela do meu quarto.
O perfume das flores espargia pelo ar,
enquanto o espaço ao meu redor, tomado,
por um festival multicolorido de espécies,
atraíam borboletas, abelhas e outros insetos,
a saudar a manhã num bailado invulgar.
Chamavam a minha atenção e curiosidade,
os pequeninos colibris ou beija-flores,
cujas asas batiam em tão alta freqüência,
ora em vôo veloz, ora parados no espaço,
qual helicópteros em missão de resgate,
buscavam o alimento no néctar das flores
e nos minúsculos insetos.
A plumagem delicada era de cor metálica
destacando-se o verde-dourado e o amarelo:
distinguia-se, a estria pardo-amarelada,
acima e por trás dos olhos, até ao pescoço;
mesclando-se a cor preta atrás dos olhos;
na garganta e no abdome também negros,
orlados de branco.
Noutros destacavam-se a cauda vermelha
num brilho acentuado e o dorso verde-escuro;
a garganta cor de cobre com tons dourados;
e abdome escuro, reluzindo em tom metálico.
Meus pensamentos voaram presos,
nas asas de um colibri.
O colibri parecia mágico e me fez regressar
a datas remotas da infância que se perdiam
nas brumas do tempo, fazendo-me chegar:
A casa em belo pomar do tempo dos barões,
era limítrofe a outro imenso terreno vazio,
que se estendia aos limites do cemitério.
Um bosque com uma infinidade de árvores,
mantinha pássaros, macacos e outros seres,
levava-nos a instalar um acampamento,
onde se iniciavam e terminavam os dias.
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