quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Capricho

Não fale.
Ouça o vento a murmurar segredos.
Olhe a chuva a bater na calçada. . .

Não diga nada.
Somente palavras vãs;
palavras de carinho
que se ocultam à vista,
em revelações secretas
numa causa envolta em mistérios,
nesse processo íntimo e particular do amor.

Não fale.
Deixe apenas, que lhe afague a mão,
e que os outros pensem que é tolice.
Amor que não quer
ou não se deve expor,
mantendo-se mergulhado,
pleno de reserva,
no recôndito inatingível de nossos corações,
por razões misteriosas;
talvez sem sentido,
cuja a significação se acha ainda secreta.

Não fale.
O amor se é tolo, tem perdão.

Não fale. . .
Nesse instante é como se eu ouvisse,
de forma linda e musical,
tudo aquilo que você disse. . .

Não fale. . .
Deixe a frase inútil pra depois;
que o amor é bem grande se calamos,
e o silêncio basta entre nós dois.

3 comentários:

  1. Lindo... tão lindo... Estou num momento muito sensível...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. O silêncio é mais valioso que muitas palavras. Ele vale ouro. Como disse William James: "O exercício do silêncio é tão importante quanto a prática da palavra."
    Formamos frases que muitas vezes não dizem nada, e temos silêncios que conseguem dizer tudo. Beijo grande.
    Muito bom.

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