Ouço as ondas enfurecidas que se arrojam ao rochedo
em ritmo de ameaça ou arrogância, contra a muralha
que se-lhe impõe descanso à fadiga que acena o amanhã.
A brisa sopra suave e serena massageando as águas verdes
que se espraiam em espumas nas areias alvas e úmidas
de olhos tristes e marejados, em verdadeiro dueto
que abafa o soluçar dos deuses do amor, ora em gemidos
profundos e sonoros, ora em harmoniosa canção.
As águas vão buscar as nuvens que passeavam a beira-mar
e se projetam num estrondo de milhares de decibéis surdos
levando-nos a tremer, sob o açoite do funesto que zumbia
nas frestas da janela de nossa casa na madrugada escura,
e fazia circular os fantasmas da sombra, à luz de lampião.
A cada espocar do verde mar, as mãos nuas se apertavam
em promessas, em delirante comoção contrita de recursos,
legados à exclusão dos ribamares, qual mariscos sofredores,
reféns da briga entre o mar e o rochedo.
Os ânimos serenaram, mas o vento ainda soprava em terra,
por entre as frestas e o frio se fazia sentir ao relaxamento
dos músculos, antes contraídos pelo pavor.
As folhagem se misturavam à areia e aos restos calcários
sob a ação do vento que tornava a farfalhada aterrorizante,
levando-nos à angústia e a soluçar à passagem funérea.
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Muito bom também, a mesma riqueza de vocabulário, expressando claramente o que queria, parabéns!
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