quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Vidas paralelas

Paralelas e mal traçadas linhas rumo ao infinito,

Almas e povoação etérea de grupos;
etnias diferentes:
processo de união ou fusão social;
etnias desiguais:
processo de união ou fusão biológica:

Seres;
diferentes classes;
raças ou tipos;
levados e postos à prova dos deuses!

Peças lançadas sobre o tabuleiro
de amalgamador sádico ou cruel,
postas desordenadas a reunirem-se;
combinarem-se; mesclando-se, porém,
sem misturar-se à composição de um só corpo,
um só desejo na cumplicidade de vida
que se confundiram, apenas em ilusão
de uma jornada sacrossanta,
certos da composição perfeita de seus pares.

De alfa a ômega viajaram. . .
Buscaram adequação de princípios,
costumes e leis.

Viajaram, sem nunca encontrar o ponto amalgâmico
de a mistura isomorfa, cujo destino, quiçá. . .

O próprio Arquiteto, Senhor do Mundo,
afastou-os do ponto convergente,
mantendo eqüidistante na trajetória,
almas, espíritos e outras formas físicas:

Etéreas, em atração verdadeira,
na razão direta dos corpos
e na razão inversa da magia;
inexplicáveis aos sentidos invisíveis,
místicos ou atômicos da matéria.

Ao projetar-se ao espaço físico,
rebateu-se, então, no mesmo plano,
encontrando-se no mesmo ponto
onde as paralelas já se cruzaram
além do horizonte, no limite que transcende;
identifica a mistura isomorfa da amálgama
deixada; quiçá esquecida, senão por atos
de sentimento sádico dos deuses.

Condenados, então:
Pelos que conseguiram encontrar
a ligação íntima com seu par,
não entendem anseios de sentimentos
à deriva, de quem tem a alma livre:
Sonhar e buscar. . .
Enquanto o corpo, escravo,
preso a grilhões de modelos instituídos:

Pelos que se adequaram talvez,
submisso às religiões e à sociedade
em convenção de o certo e o errado;

pelos que representam
o personagem equilibrado,
sufocando os próprios sentimentos,
sendo levados à angústia,
à depressão e à desarmonia interior
pelo medo de ser diferente do padrão formatado.

Absolvido, entretanto:

Pela consciência da prática consciente
do arbítrio na identificação dos seres
que se unem
em momentos de sinergia e interação;

Pelos momentos de felicidade plena;

Pela razão de os momentos de fuga
aos desencantos,
no verdadeiro uso da racionalidade
na consecução de uma ligação íntima.
Mais que íntima, uma relação verdadeira.

Triunfo pleno do amor verdadeiro.

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